Rafael Ferreira
Professor na área das artes e tecnologias, licenciado em Educação, Comunicação Audiovisual e pós-graduado em Tecnologia Educativa. Apaixonado por cinema, imagem, animação e artes.Em 2025, celebramos o centenário do nascimento de Maria José Alves Pereira da Silva, poetisa nascida em Luanda, Angola, no dia 12 de junho de 1925. Embora o seu nascimento tenha ocorrido fora do continente, este facto deveu-se apenas à profissão do seu pai, que se encontrava em comissão de serviço como ferroviário e guarda-redes do Ferroviário de Angola. Aos 18 meses, Maria José regressou à sua terra natal, Castelões de Cepeda, Paredes, onde manteve um vínculo profundo com as suas raízes familiares centenárias. Pode-se dizer, sem hesitação, que apesar de ter nascido em Luanda, era de sangue e alma paredense.

Foi em Paredes que Maria José construiu toda a sua carreira literária. A sua obra, marcada pela poesia lírica e pelo soneto, começou com Ilha dos Amores (1961), seguida de Labaredas em Prece (1964), ambas atualmente esgotadas. Em 1992, publicou Estrelas do meu Céu e Cais do Desencanto, reunidos numa única edição. Além destes livros, deixou um vasto espólio de poemas inéditos, preservados no seu blog pessoal (mjaps.blogs.sapo.pt), que funciona hoje como um verdadeiro museu digital da sua obra e memória.



O seu trabalho foi reconhecido em inúmeros concursos literários e Jogos Florais, acumulando centenas de prémios, incluindo três Penas de Ouro e duas de Prata. Destacam-se também menções honrosas, como a obtida nos 1.ºs Jogos Florais do Lavradio (1988). Maria José participou em antologias coletivas de renome, como a VII Antologia de Poesia Contemporânea, reunindo 235 autores de 40 países, consolidando o seu estatuto de poetisa de mérito nacional.
A qualidade e autenticidade da sua poesia receberam elogios de figuras proeminentes, como Monsenhor Moreira das Neves, que destacou a profundidade de sentimento, a clareza e a sinceridade da sua expressão poética, considerando a sua obra um retrato fiel da alma da autora. Este testemunho é um selo de legitimidade literária e cultural que valida a sua contribuição para a poesia portuguesa, especialmente no contexto regional de Paredes.



Celebrar o centenário de Maria José Alves Pereira da Silva é reconhecer uma vida dedicada à poesia, à cultura e à memória da sua terra. É celebrar uma voz lírica que floresceu plenamente em Castelões de Cepeda, tornando-se um património literário e cultural do concelho de Paredes. A sua obra permanece viva, acessível e inspiradora, lembrando-nos da força da poesia que nasce da autenticidade, das raízes e da dedicação contínua à arte das palavras.