O Município de Amarante passou a dispor de legitimidade para intervir e investir no Parque Florestal de Amarante, na sequência da assinatura, esta manhã, de um protocolo de colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). O acordo permite o início imediato de um conjunto de intervenções num espaço considerado central para o lazer e a fruição pública no concelho.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal, Jorge Ricardo, o protocolo representa “um passo muito importante para o lazer dos amarantinos”, sublinhando o papel do Parque Florestal enquanto zona de contacto com o rio Tâmega e de utilização social, integrada na vida quotidiana da população.
O entendimento alcançado resulta de várias reuniões entre o Município e o ICNF e não prejudica a ação judicial atualmente em curso. No âmbito do protocolo, destaca-se a criação de um Parque Multifuncional da Florestal, que prevê a instalação de parque infantil, parque de merendas e áreas de estacionamento para viaturas ligeiras e autocarros. Para a concretização destas ações, o ICNF atribuiu uma comparticipação financeira de 150 mil euros.
As intervenções previstas encontram-se inscritas no Orçamento Municipal para 2026, aprovado pela Assembleia Municipal a 27 de dezembro de 2025. Apesar da intervenção municipal, mantêm-se em funcionamento no local serviços da Direção Regional do ICNF, bem como o Centro Nacional de Sementes Florestais.
Entre as necessidades identificadas como prioritárias estão a requalificação e valorização das áreas públicas de visitação, a demolição de antigas estruturas utilizadas como aviário e trabalhos de desmontagem, abate e poda de árvores, por razões de segurança dos visitantes. Está também prevista a fase inicial de um projeto de promoção e conservação da floresta, apresentado pelo Município.
Segundo o plano definido, as áreas públicas passarão a integrar um espaço verde de carácter multifuncional, com clareiras para utilização social, zonas de sombra, percursos pedonais e integração de vegetação autóctone, promovendo o aumento da biodiversidade e melhores condições de fruição.
Por seu lado, o ICNF manifestou interesse no modelo de cogestão das áreas de visitação pública, enquadrando-o numa política de cooperação com agentes locais, orientada para a utilização sustentável dos recursos naturais e a manutenção de infraestruturas.
O protocolo agora assinado é independente do processo judicial relativo à Quinta de Codeçais, área integrada no Parque Florestal de Amarante desde 24 de maio de 1922. Independentemente da decisão a proferir em tribunal, o Município poderá avançar com as intervenções previstas.
O Parque Florestal de Amarante, criado no início do século XX, mantém-se como um dos principais pulmões verdes do concelho, cuja recuperação e valorização passam agora a contar com enquadramento legal para uma atuação municipal direta.
Fotografia: CM de Amarante (Arquivo)