Joaquim Luís Costa
Licenciado em Ciências Históricas, mestre e doutor em Ciência da Informação. Historiador.Apresento efemérides regionais que podemos celebrar em 2026.
Ao contrário do ano passado, este ano, unicamente sugiro efemérides relacionadas com a sub-região do Tâmega e Sousa. Existem diversas efemérides que poderia indicar. Contudo, devido aos limites deste comentário, exponho apenas algumas, sendo, obviamente, subjetivas essas escolhas. Mas servem como incentivo para conhecermos a história e o património do território para, assim, valorizá-lo.
Neste primeiro mês de 2026, recordemos os 110 anos da classificação do Mosteiro do Salvador de Travanca como Monumento Nacional, que foi decretada a 27 de janeiro de 1916. Este é um daqueles monumentos impossíveis de não visitar, se possível em visita guiada, para conhecermos toda a sua história, desde as suas origens, como eremitério, a sua evolução, como um dos mosteiros beneditinos mais importantes da região, até à sua extinção, abandono e utilização para outros fins.
Também o Castelo de Arnoia, em Celorico de Basto, recebeu a classificação de Monumento Nacional, mas a 15 de março de 1946. Muitas vezes, temos a tendência para visitar castelos célebres. Este, de facto, não é tão famoso como outros que ficam nas proximidades da nossa sub-região. Contudo, possui uma história militar que merece ser reconhecida.
Igualmente em março, celebram-se os 960 anos da primeira referência escrita conhecida ao nome Baião, quando foi usado para identificar uma terra, a de Bayan, que se estendia desde o rio Galinhas, a oeste, abrangendo Tabuado, serra da Aboboreira e muito provavelmente Soalhães, até além do rio Ovil, a leste, tendo a norte o rio Ovelha e a sul o Douro. Ou seja, a primeira vez que se escreveu “Baião” foi a 24 de março de 1066. Assim, não deixe de passar por este concelho para conhecer uma terra milenar, rica em história, gastronomia e beleza natural.
A 1 de maio, comemora-se o 770.º aniversário da morte de Mafalda Sanches, filha de D. Sancho I, que foi rainha de Castela e é beata da Igreja Católica. Embora esteja associada ao Mosteiro de Arouca, parte da sua vida foi passada no nosso território, onde foi educada e praticou obras pias, como a construção de pontes ou a (re)construção de igrejas, como a de Abragão e a de Cabeça Santa, ambas em Penafiel. Para lembrar a sua memória ou o seu cortejo fúnebre, foram construídos memoriais. O Memorial da Ermida, em Penafiel, e o Marmoiral do Sobrado, em Castelo de Paiva, estão relacionados com esse cortejo. Ler um livro sobre esta figura histórica e visitar o património citado é um interessante programa cultural de um dia que recomendo.
No dia 3 de agosto, fazem 880 anos que morreu Egas Moniz, o aio. O grande nobre faleceu neste dia e mês, mas no ano de 1146. D. Afonso Henriques foi um grande rei muito devido aos ensinamentos e aos bons conselhos de Egas Moniz, da família dos Ribadouro. Ainda hoje em dia podemos visitar o seu cenotáfio na Igreja do Mosteiro de Paço de Sousa, em Penafiel.
Por fim, deixo duas sugestões de leitura que também estão de parabéns. Há 380 anos, em 1646,Manuel de Faria e Sousa publicava o Nobiliario del conde de Barcellos, D. Pedro, hijo del rey D. Dionis…, um importante livro para se conhecer as origens de muitas famílias, incluindo algumas do nosso territorio; e, há 300 anos, em 1726,Francisco da Serra Craesbeeck publicava Memórias Ressuscitadas da Província de Entre Douro e Minho, que constitui uma fonte valiosa para a história desta antiga província.
É bom recordar quem somos, através de livros, factos e personalidades relacionados com a nossa história e património. Para não se esquecer, anote na sua agenda.