A Associação de Caçadores de Montemuro promoveu no passado dia 31 de Janeiro a terceira edição da Montaria ao Javali, uma ação de gestão cinegética que reuniu 150 caçadores e nove matilhas de cães na serra do Montemuro. De acordo com os dados fornecidos pela organização, foram abatidos 20 animais durante a iniciativa, que contou com a presença do vereador do município, André Fonseca.
O evento, classificado pela associação como uma medida de controlo populacional, teve como “principal objetivo a minimização dos prejuízos causados nas culturas agrícolas locais, provocados por uma espécie cada vez mais abundante”. A organização sublinha ainda que estas ações servem também como uma oportunidade para “dar a conhecer o território a visitantes e forasteiros”.
A participação de um representante do poder local, o vereador André Fonseca, reforça o enquadramento institucional da atividade. A Câmara Municipal tem “vindo a apoiar estas iniciativas, reconhecendo a sua importância para a segurança e bem-estar das populações e para uma gestão responsável e sustentável da fauna cinegética”.
Contexto de aumento populacional e danos agrícolas
A justificação para a montaria insere-se num problema recorrente em várias regiões do país: a superpopulação de javalis (Sus scrofa) e os estragos significativos que causam em culturas, pastagens e, em alguns casos, em zonas periurbanas. O javali é uma espécie cinegética em Portugal, e o seu controlo é legalmente autorizado e regulado através de planos de gestão e ações de caça maior.
A Associação de Caçadores de Montemuro enquadra a sua ação no papel que atribui aos clubes de caça e pesca, considerando-os responsáveis pela “organização destas ações de controlo populacional”, fundamentais para a “prevenção de danos nas áreas agrícolas e florestais, bem como na promoção do equilíbrio ambiental”.
Balanço e continuidade
Com um saldo de 20 animais abatidos por 150 caçadores, a eficácia cinegética da montaria – um indicador que relaciona o número de animais com o número de participantes – situa-se numa média comum para este tipo de batidas, que depende de múltiplos factores como a densidade da população animal, a orografia do terreno e a eficiência das matilhas.
A realização da terceira edição consolida esta iniciativa no calendário cinegético local. A presença de “visitantes e forasteiros”, referida pela associação, aponta para uma dimensão que ultrapassa o mero controlo populacional, podendo incluir um componente social ou até um incipiente turismo cinegético, prática que gera receitas em algumas regiões, mas que é também alvo de debate público.
Fotografia: CM de Cinfães