O Serviço de Cardiologia da Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa deu início, em Fevereiro, à implantação de dispositivos de ressincronização cardíaca. Trata-se de um procedimento técnico avançado, indicado para doentes com formas específicas de insuficiência cardíaca, que marca uma nova fase na diferenciação e capacidade de resposta daquela unidade hospitalar na região norte do país.
A intervenção, já iniciada pelos cardiologistas de intervenção Inês Oliveira e Pedro Carvalho, consiste na colocação de um dispositivo intracardíaco semelhante a um pacemaker, mas com uma funcionalidade distinta. “Este procedimento está indicado para pessoas com insuficiência cardíaca em que o pacemaker convencional deixa de ser a solução mais adequada, permitindo uma melhoria da resposta clínica e da qualidade de vida dos doentes”, explicou a médica Inês Oliveira.
A tecnologia, designada por terapia de ressincronização cardíaca, permite a estimulação eléctrica simultânea dos dois ventrículos do coração, corrigindo situações de dessincronização que podem ocorrer em alguns doentes. Em termos clínicos, ajuda o coração a bater de forma mais coordenada e eficiente, aliviando sintomas como fadiga extrema e dispneia (falta de ar). Como salientou o médico Pedro Carvalho, existem modelos do dispositivo com capacidade adicional de desfibrilhação, oferecendo “maior segurança e proteção dos doentes com maior risco de eventos cardíacos graves”.
A implementação deste procedimento tem um impacto logístico significativo para a população da área de influência da ULS Tâmega e Sousa. Até agora, mais de 50 doentes por ano eram referenciados para outras instituições de saúde para beneficiarem deste tratamento. Com a nova valência, todo o percurso assistencial — desde a implantação até ao seguimento em consulta — passa a ser realizado localmente. “Com a implementação desta terapia no Serviço de Cardiologia, estes doentes passam agora a ser seguidos localmente, garantindo maior proximidade, continuidade de cuidados e eficiência na resposta prestada”, lê-se na informação partilhada pela unidade.
Para a directora do Serviço de Cardiologia, Aurora Andrade, este avanço integra o processo de diferenciação técnica do serviço, que no ano passado realizou também a primeira implantação de um desfibrilhador implantável. A medida consolida, segundo a responsável, a “evolução técnica e clínica da instituição”, aproximando a oferta de cuidados de cardiologia de complexidade intermédia e avançada das populações do Tâmega e Sousa.
Fotografia: ULS Tâmega e Sousa