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Acácio Lino

por Joaquim Luís Costa
Joaquim Luís Costa - Opinião vale do Sousa TV
Joaquim Luís Costa
Licenciado em Ciências Históricas, mestre e doutor em Ciência da Informação. Historiador.

Uma singela homenagem ao artista Acácio Lino, no mês do seu nascimento.

Nos concelhos do Tâmega e Sousa, onde vivemos e trabalhamos, existem importantes artistas e escritores. Um exemplo é Amarante. Desta terra, são naturais os escritores Agustina Bessa-Luís e Teixeira de Pascoaes ou os pintores António Cândido e Amadeo de Souza-Cardoso. Agora, escrevo acerca de um outro, também muito conhecido, embora nunca seja demais recordá-lo.

No dia 25 de fevereiro de 1878, nascia na freguesia de Travanca, concelho de Amarante, Acácio de Magalhães, filho de Rodrigo Pereira da Costa Magalhães e de Maria do Carmo Pinto de Carvalho, da Casa da Pedreira, que todos nós conhecemos pelo nome artístico de Acácio Lino.

Como muitos outros artistas, “Acacinho”, como era tratado pela mãe, começou em tenra idade a dar nas vistas no desenho e pintura, contando com a ajuda dos seus professores, que adivinharam o seu potencial e contribuíram com o nome “Lino” para a sua designação artística.

Acácio Lino

Aos doze anos, foi viver para o Porto, para casa do seu irmão, Albano, que era advogado na cidade. Aqui, continuou a aprofundar o seu gosto pelas artes nos colégios portuenses onde estudou e nas aulas particulares que tinha com o professor Marques de Guimarães, para descontentamento do seu pai, que desejava que ele seguisse medicina e não belas-artes.

Mais tarde, vai viver e estudar para Paris, onde entra em contacto com artistas de renome, como Jean-Paul Laurens e Fernand Cormon, que lhe transmitiram o gosto pela pintura histórica. Uma vez regressado a Portugal, vai fazer carreira como docente na Escola de Belas Artes do Porto. Apesar de viver na Invicta, Acácio Lino manteve ligações com a sua terra natal, onde tinha ateliê, na Casa das Figueiras, e no qual trabalhava nas férias e se inspirava para as suas criações. 

O artista faleceu no dia 18 de abril de 1956, no Porto. Após missa de funeral na Igreja do Bonfim, o féretro seguiu para o cemitério de São Salvador de Travanca, a freguesia onde nasceu. 

Acácio Lino destacou-se na pintura naturalista e histórica, mas também pintou retratos e temas religiosos. Também se dedicou à escultura, sendo os trabalhos mais conhecidos os bustos de Soares dos Reis, de António do Lago Cerqueira, de Ciríaco Cardoso e da sua esposa, Dina, e o medalhão do mestre José de Brito.

As suas obras podem ser encontradas em diversos museus e instituições nacionais, como a Assembleia da República, nomeadamente na Sala Acácio Lino, e o Museu Militar, em Lisboa; na Biblioteca Pública Municipal do Porto, na Câmara Municipal do Porto, no Museu Nacional Soares dos Reis, na Igreja dos Congregados e no Teatro Nacional de São João, todos no Porto. 

Já nos concelhos da nossa sub-região, podemos encontrar as suas obras no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, e na Casa-Museu Acácio Lino, em Travanca. Destaco ainda, nesta mesma freguesia, o painel com a Transfiguração de Cristo, que está no retábulo-mor da igreja do Mosteiro do Salvador de Travanca. 

Também muitos retratos, a óleo, de provedores e beneméritos da Santa Casa da Misericórdia de Felgueiras, como o do provedor Eduardo de Freitas e o da benemérita Emília de Sousa Lemos, foram pintados por ele, mediante encomenda. 

Ao visitar os centros de Amarante e de Felgueiras ou a freguesia de Travanca, não deixe de conhecer as obras de arte deste nosso pintor, podendo a visita ser acompanhada pelo livro Recordando…, a autobiografia do artista, publicada pelo mesmo em 1951.

Imagem: Museu Nacional Soares do reis

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