Joaquim Luís Costa
Licenciado em Ciências Históricas, mestre e doutor em Ciência da Informação. Historiador.A frase não é minha. É de José Saramago. Mas devemos seguir a sua “nobel” opinião.
Certo dia, José Saramago, prémio Nobel da Literatura em 1998, quando se preparava para dar uma entrevista e perante o desafio de pensar numa mensagem natalícia, confidenciou à sua companheira que odiava o Natal!
O escritor explicou o motivo para não gostar: justificou que se criou a ideia de que neste dia, 25 de dezembro, devemos ser bons, o que significa que nos restantes dias podemos ser maus! Acrescentou ainda que os pais, com o objetivo de os filhos estarem contentes nesta época, enchem-nos de coisas materiais (prendas), mas passados alguns dias já ninguém se lembra o que foi oferecido.
Por isso, Saramago odiava o Natal e concluiu, aconselhando, que devíamos pensar nos outros dias e deixar o Natal em paz. Ou seja, a paz e o amor que se vive durante esse tempo deviam ser duradouros e extensíveis aos restantes dias do ano. Este é o que Saramago pretendeu afirmar quando disse que odiava o Natal, segundo a minha interpretação!
Embora recorra a palavras fortes, como o verbo “odiar”, Saramago estava, minimamente, correto. Genericamente, muitos de nós assistimos ou participamos nesta “paz temporária” todos os anos.
Para muitos homens, mulheres e crianças, o Natal é, apenas, um evento festivo, tal como outros eventos, com mesas repletas de pratos, bastantes doces, muita decoração e, por vezes, passando uma ideia de ostentação ou de riqueza. Também durante esta época há sempre tempo para fazer “tréguas” nas guerras que acontecem um pouco por todo o mundo.
Resumindo, durante o Natal, parece que o ser humano fica, por breves dias, enfeitiçado com a ideia de paz.
O problema é o que acontece nos restantes dias! Por exemplo, se os “senhores das guerras” conseguem fazer tréguas nesta época, porque não se esforçam para transformar essas tréguas em definitivas, ou seja, ter a paz todo o ano?
Como sabemos, esta época está associada ao nascimento de Jesus Cristo. Todavia, como não se sabia ao certo a data, optou-se por se escolher este dia por forma a se cristianizar as festas pagãs romanas que até então se realizavam. A festa do Natal, logo, do nascimento do Salvador, foi oficializada no século IV. O termo “Natal” tem origem na palavra latina natalis que, por sua vez, deriva do verbo nāscor, ou seja, nascer.
Já imaginaram o que diria Jesus Cristo se viesse fisicamente à Terra ver este Natal?
Obviamente, não se expressaria com o verbo “odiar”, porque não é uma palavra que faça parte do seu discurso, mas ficaria desgostoso com o formato da celebração. No mínimo, diria: “Não era bem isto que tinha em mente!”
Como o termo Natal deriva da palavra “nascer”, isto significa que este é um tempo que convida à reflexão sobre o verdadeiro sentido da vida, sobre o valor do amor e da paz. Deste modo, é um tempo para “nascer” de novo para todo o sempre e não apenas para épocas ou dias específicos!
Desejo a todos, e em particular aos leitores da televisão regional Vale do Sousa TV, paz e amor no dia de Natal e nos restantes 364 dias do ano!